Mais que um taxista em Rio Possmoser, um amigo que já fez parto, ajudou depressivo, bêbado e tem muitas histórias

Taxista desde 1984, atuo só em Santa Maria de Jetibá, ES por 10 anos. Vantuil Pereira Caldas, o vulgo Van trabalha com serviços de transporte de passageiros há quase 37 anos. Mas atua em Rio Possmoser, pouco mais de um ano.

Homem de ótimo astral, animado e com um sorriso constante nos lábios ele afirma: ”Se eu fosse escrever histórias de taxi da um livro. Vantuil afirma que não são estórias. “É tudo verdade, algumas quando me lembro da muitas risadas, outras choro até hoje”.

“A primeira coisa que digo: “Bom dia, boa tarde, boa noite, sabia que isso esta acabando nos últimos dias. Cativar cliente é preciso desejá-lo tudo de bom. Às vezes só ouço a amigo e passageiro contar sua história, na verdade muitos só querem desabafar. Depois que vão embora, ou chegam ao destino peço que Deus os Abençoe”.

“Meu maior orgulho. Foi nunca ter tido problemas com ninguém, mas ninguém mesmo. Tenho orgulho de ser referencia como taxista em Santa Maria de Jetibá e região”.

Sobre suas histórias de taxista, Vantuil, recorda o dia em que ajudou a fazer um parto.

“Fui chamado para fazer uma corrida e a mulher já entrou no carro ganhando nenê. Ela ia daqui para a Pro Matre em Vitória. Verdade estava em trabalho de parto e eu tive que ajudar. Descendo para Santa Leopoldina ele me disse: “Será que o senhor pode para um pouquinho, acho que a menina nasceu”.

 Eu disse: “Que isso muie? Rapaz… tomei um susto. ”Mas tive uma experiência por trabalhar em ambulância e fiz o parto. Era um gurizinha. Não cortei o umbigo, só tirei pela cabeça e Depois, levei para o hospital. Hoje somos amigos de verdade.

“Geisiele é o nome da moça, muito doce e educada. Sinto-me parte da família”, conta com os olhos lagrimejados o taxista Vani.O táxi é um divã ambulante, comenta Vantuil. O profissional que atua com seriedade aqui é mais que taxista, é amigo de seus passageiros. “Taxista é ombro amigo, cupido, psicólogo. O taxista enfrenta 16 horas de trabalho, mais o trânsito e a carga emocional de todos os passageiros que embarcam precisou ter equilíbrio para orientá-los”.

“Alguns passageiros são só alegria. Já entram falando, conversando, que isso, que aquilo e depois vão embora na mesma alegria”.

Mas perdi as vezes que chorei com meu passageiro ou sozinho lembrando-se de tudo que conversamos dentro carro. “Coisas que são particulares nossas, mas até hoje dói em mim. Um passageiro é um ser vivo sendo levado para algum lugar precisando as vezes de ser só ouvido”.

“Da para dar uma bela lavagem na lataria de tanta gente que chorou comigo dentro do carro. Mas isso é entre eu e elas. Se precisarem chorar novamente ou conversar é só chamar”.

O taxista lembra que alguns com problemas emocionais já foram seus passageiros.

“Tem os depressivos, os que vivem sozinhos e até, Deus me livre e guarde, os que tentam ou tentaram suicídio (não aqui dentro). Aí tenho que ser mais que motorista. Minha experiência de vida me faz ter que dialogar com ele, deixar que ele chore muito, porque faz bem e exercitar um pouco de psicologia e motivá-lo para seguir adiante. Pois um dia estamos por baixo, outro por cima”. Rapaz esta é a minha maior dor dentro deste carro. A vida é para viver, não importa a dificuldades, enfatiza

“Um dia somos acusados, outros dia descobre que esta acusação era um coisinha que virou uma grande história. Hiiii, muitos já reclamaram assim comigo. Depois de um tempo esta lá ele rindo que não era aquele bicho de sete cabeças.

Sobre os contadores de causos, Van da uma sonora gargalhada. “Ouço cada uma que “acredito”, depois do fim da corrida penso onde este cara inventou isso?

Outra vez um bêbado entrou no carro. Queria pegar o volante, Falou, falou, falou até que não aquentei. Coloquei para fora, ali perto do Cavalo Baio. Ele passou de todos os limites.

Complicado mesmo é notar as atitudes de certos passageiros quando querem usar drogas dentro do carro. “Paulo, eu paro na hora, o faço ele usar no meio do mato. “Do jeito que quiser e o levo onde quer, dentro do meu taxi não aceito”.

Sobre os amigos. Xixe. “É meu maior patrimônio. 90% das pessoas que solicitam meus serviços se tornaram meus amigos. Alguns se lembram do meu aniversário, vem me desejar Feliz Natal, ligam só para saber se to bem. E posso contar com eles, não importa a hora e o motivo”, mais um vez os olhos do taxista lagrimejam e ele olha para o alto, com se pensasse: “Obrigado Deus”.

Rapaz tenho um amigo de Vitória da Conquista, BA. Todas as vezes que vem aqui me manda uma mensagem no whatsapp para buscá-lo e levar para fazer o transporte que ele deseja. Isso te anos, nossa. E com as idas e vidas conversamos no zap. Trocamos ideias, rimos muito, coisas de amigos mesmo.