Mulheres agricultoras são mais que produtoras ou reprodutoras, são peça fundamental

Você já pensou em como a presença da mulher na agricultura familiar é expressiva? Em algum momento, você já se deu conta da importância da mulher no cenário das pequenas propriedades rurais brasileiras? Além da lida no campo, não deixam de participar da rotina doméstica ou de tomar frente na educação dos filhos?

Na agricultura familiar, cerca de 45% dos produtos são plantados e colhidos por mulheres. São cerca de 14 milhões de produtoras rurais envolvidas no processo.

Agricultora de origem Pomerana trabalhando nas hortaliças

O trabalho realizado pelas agricultoras no âmbito produtivo ainda é visto como “ajuda” ao marido ou à família, mesmo quando as agricultoras trabalham tanto quanto seus maridos ou executam as mesmas atividades que eles.

A mulher se divide em uma jornada extensa de trabalho, que combina atividades da casa e do roçado tornando um só pela busca de acréscimo nos rendimentos familiares, agregando valor aos produtos agrícolas.

Fato é que elas se dedicam integralmente às atividades produtivas e reprodutivas, o trabalho doméstico tem para as mulheres um caráter de obrigatoriedade, aquele que não pode deixar de ser feito, pois todos dependem dele.  

É aquela que nasce na roça e começa a trabalhar desde os sete anos fazendo todas as atividades que o homem faz: Capina, planta, colhe… Ela tem dupla ou tripla jornada, mas não aparece. Na maioria das vezes não é reconhecida, não é valorizada e não tem acesso à renda que ela mesma ajudou a gerar.

As mulheres exercem um papel fundamental e as atividades realizadas pelas agricultoras em seus cotidianos são essenciais para a subsistência biológica e socioeconômica das famílias, para o bem-estar, para a segurança alimentar e preservação do meio ambiente.

É importante lembrar que, na maioria dos casos, seu trabalho segue do campo para uma árdua jornada de trabalho dentro das comunidades e de suas casas. Elas trabalham cerca de 12 horas semanais a mais que os homens. Ainda assim, somente 20% delas são proprietárias das terras onde trabalham.

Para se ter ideia do comprometimento e dedicação da mulher rural, cerca de 90% do que elas lucram no campo é reinvestido na educação e no bem-estar da família.

Elas têm um papel fundamental na agricultura familiar do país. Acima de qualquer outra função, a mulher na tem um grande papel social tanto na família como na comunidade.

É hora de reconhecê-las como agentes essenciais no desenvolvimento da sociedade, uma vez que a contribuição delas para a segurança alimentar e nutricional é peça chave na erradicação da fome no mundo. Para aproveitar esse potencial, o mundo precisa enfrentar as desigualdades de gênero como um todo e, especialmente, superar as diferenças de gênero no setor agrícola.

Na maioria das propriedades rurais que se encaixam no módulo da agricultura familiar, a presença das mulheres é muito marcante. Um dos motivos é que a mão de obra familiar é alicerçada, principalmente pelo trabalho do homem e da mulher.

Isso mantém os dois na propriedade de forma que a mulher se torna peça fundamental não só no trabalho diário, mas no estímulo à permanência da família com os vínculos rurais, incentivo a sucessão familiar, cuidado com os filhos, com a terra e com os animais.

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