Ovos produzidos por brasileiros conquistam mercado árabe

Exportações brasileiras de ovos chegaram no primeiro trimestre deste ano com 3,77 mil toneladas enviadas ao Exterior Emirados Árabes Unidos foi o destino de 73% da produção embarcada pelo Brasil no primeiro trimestre deste ano

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O apetite internacional também tem movimentado a produção de ovos no Brasil. Hoje, o volume do alimento que deixa o Brasil rumo ao exterior ainda é pequeno e representa apenas 1% do total produzido. O aumento desses embarques, porém, tem disparado nos últimos meses.

Os dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que as exportações brasileiras de ovos, tanto in natura quanto processados, fecharam o primeiro trimestre deste ano com 3,77 mil toneladas enviadas ao Exterior. É um volume 142% superior ao que foi vendido a outros países no mesmo período de 2020, quando foram exportadas 1,55 mil toneladas.

Hoje, em todo o mundo, ninguém come mais ovos brasileiros que os árabes. Os Emirados Árabes Unidos foram o principal destino das exportações, com 73% do total embarcado pelo Brasil no primeiro trimestre deste ano. Japão e Serra Leoa também estão entre os principais compradores. Outros destinos mais próximos, porém, acabam de ser abertos e devem mexer com os embarques nacionais.

No início de abril, o Ministério da Agricultura firmou acordos com a Argentina e o Chile, com a publicação de certificados sanitários internacionais que autorizam a exportação de ovos in natura pelo Brasil. Produtores de qualquer Estado do Brasil poderão vender para a Argentina. No caso do Chile, as autorizações foram dadas, até o momento, para produtores do Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

“Hoje, por causa da situação cambial, está até mais interessante vender lá fora, mas isso não é tão simples. Estamos falando de ovos, há um processo rigoroso, o produto tem que ser refrigerado, muitas vezes é vendido in natura. Então, ainda são poucos que atuam nisso”, diz Juliana Ferraz, analista de mercado de ovos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo.

Ricardo Santin, presidente da ABPA, acredita que as taxas de crescimento devem seguir a mesma trajetória neste ano. “Estamos trabalhando no Exterior há algum tempo. Criamos a marca Brazilian Egg, com a Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações). Os resultados estão aparecendo.”

A se basear no volume de exportação de outras proteínas animais, há um longo caminho pela frente. Se hoje apenas 1% da produção nacional vai para fora, no caso da carne suína essa fatia é superior a 20%, mesmo índice da carne bovina, enquanto mais de 30% dos frangos brasileiros alimentam outros países.